Técnico que virou artista
São Paulo, 1986. Mecatrônica, design, live-cinema, cenografia, direção técnica, exposições imersivas. Duas linhagens operam juntas, a artística da luz no espaço e a técnica da fabricação e dos sistemas.
São Paulo, 1986. Mecatrônica, design, live-cinema, cenografia, direção técnica, exposições imersivas. Duas linhagens operam juntas, a artística da luz no espaço e a técnica da fabricação e dos sistemas.
Nascido em São Paulo, 1986. Meus avós vieram da Polônia e da Romênia em 1933, judeus fugidos do nazismo. Meu pai me ensinou que emancipação é pelo fazer. Testar a ideia na matéria antes de afirmar que ela é boa.
Estudei Mecatrônica no COTUCA (Unicamp, 2002–04) e Design na FAU-USP (2007–14). Meu TCC, LUZCIDADE, traçou a linhagem de Moholy-Nagy a Dan Flavin e de Flavin ao meu trabalho com luz no espaço público de São Paulo. Orientação de Carlos Zibel Costa, banca com Giselle Beiguelman. Não sou artista que aprendeu tecnologia. Sou técnico que virou artista. A ordem importa.
Em 2008 ingressei no BijaRi, onde trabalhei como VJ e diretor de arte por nove anos. Live-cinema no Itaú Cultural (2008), vídeo-cenário para Ivete Sangalo no Madison Square Garden (2010), três edições do Villa Mix Goiânia com recorde no Guinness de maior palco de LED do mundo (2013–15). O BijaRi me ensinou a operar em escala.
Em 2017, na GTM Cenografia, montei o Google Buttonwall no hall do Google Brasil com Wesley Lee (cerca de 7.000 botões RGB interativos) e a cenografia do YouTube Space Rio no Pier Mauá (3.000 m², descrita pelo G1 como "a mais high tech do mundo"). Em 2018, na The Force, fiz a direção técnica da exposição Dimensão, do Nonotak Studio, na Japan House São Paulo.
Em 2019 co-fundei a AYA Studio com Antonio Curti. Desde então, concebo e dirijo exposições imersivas no Farol Santander, CCBB, SESI/FIESP, Japan House e Casa Fiat. Desenho os espaços, concebo tecnicamente e artisticamente, e coordeno equipes multidisciplinares de motion designers, programadores, arquitetos e técnicos. Antonio assina a curadoria. A AYA é o sistema, e eu sou um dos motores.
Meu trabalho se sustenta em duas linhagens. Uma artística, de Moholy-Nagy a Dan Flavin, do modulador de luz e espaço à lâmpada fluorescente como medium. Outra técnica, que vem da mecatrônica e da fabricação digital. As obras nascem do cruzamento dessas forças. Revelar o invisível é o que persiste, do Córrego das Almas soterrado em 2012 às redes micorrízicas da Floresta Utópica em 2025.
Anos depois do TCC, essa linhagem reapareceu de forma explícita no livro 100 Anos de Arte Moderna: a cena contemporânea, de Carlos Zibel Costa, o mesmo orientador que acompanhou LUZCIDADE na FAU-USP. O perfil dedicado ao meu trabalho articula Cachoeira, sem título, para Mantiqueira e OCEANVS como partes de uma trajetória só, da luz no espaço público à construção de ambientes imersivos.
Em 2026 o trabalho se deslocou para dentro da máquina. Construo os motores que as obras usam, rodando em placa local, no ateliê, sem depender de nuvem. 2047: Arquivo de depois, que faço com Giselle Beiguelman e que abre em outubro na Casa Firjan, é a peça onde essa posição fica explícita, uma máquina que lê o presente e escreve o futuro em papel contínuo. Player 1 está em produção no Farol Santander. A pesquisa técnica que sustenta as duas sai publicada em repositório aberto, porque medir e mostrar como a coisa funciona faz parte do trabalho.