Oceanvs
OCEANVS foi minha primeira grande co-criação. Até 2022, havia concebido obras sozinho — da Cachoeira à Floresta Utópica. Com OCEANVS, aprendi a desenhar espaços em colaboração: Antonio Curti escreveu o roteiro dos oito atos, eu desenhei a experiência espacial e a direção técnica que traria água ao corpo sem molhar a pele.
A obra percorre oito momentos — Prelúdio, Horizonte, Mergulho, Submersão, Tempestade, Seca, Caos, Vida. Flávio Reis (Audiovisualismo) e João Alencar desenvolveram o motion graphics que dá corpo ao roteiro de Antonio, Juvi compôs a trilha sonora original, Matheus Leston programou os elementos interativos que respondem à presença do público. Concebi o espaço como uma câmara de imersão: seis projetores mapeados, som espacial, piso que reflete o oceano acima. O público entra, deita, e o mar acontece ao redor.
OCEANVS circulou pelo Farol Santander em São Paulo (2022) e pela Casa Fiat de Cultura em Belo Horizonte (2023). Gerou subprodutos — objetos de arte que isolam frames da narrativa, expostos na Galeria Luis Maluf e na SP-Arte Rotas Brasileiras.
A colaboração com Antonio Curti merece registro que vai além da distribuição de funções. O roteiro dos oito atos não chegou como texto pronto: ele se transformou no espaço. Motion, trilha e programação interativa não ilustraram o roteiro — interferiram nele. O que saiu da sala de exposição em São Paulo não era o roteiro original. Isso é o que diferencia co-criação de divisão de trabalho.
A circulação para Belo Horizonte mudou a obra. A arquitetura da Casa Fiat exigiu adaptação — e a adaptação é parte da obra, não exceção. A obra não é sobre o oceano — é sobre submersão, sobre deixar-se tomar por algo maior que o corpo pode conter.
Ficha Técnica