Oceanvs
Obra autoral de Felipe Sztutman em oito atos, nascida da sua linhagem de vídeo expandido e materializada pela AYA Studio, onde roteiro curatorial, motion, trilha, programação e desenho espacial operam juntos para trazer água ao corpo sem molhar a pele.
- Número
- 009
- Estatuto
- obra autoral de Felipe
- Regime de leitura
- espaço / circulação / colaboração
- Status
- REALIZADA
- Ano
- 2022
- Local
- Farol Santander SP, Casa Fiat BH
- Contexto
- série dos Elementos / água
- Tipo
- EXPOSICAO IMERSIVA
- Série
- Os Elementos
- Técnica / medium
- projeção · interatividade · trilha · oito atos
- Realização
- Farol Santander · Casa Fiat de Cultura
- Estreia
- Farol Santander, São Paulo, 2022
- Adaptação
- Casa Fiat de Cultura, Belo Horizonte, 2023
- Circulação
- Farol Viajante, em curso
- Estrutura
- Oito atos, projeção mapeada, trilha original, interatividade e espaço de imersão
Em OCEANVS, a colaboração não entra como execução de um conceito pré-fechado. Antonio Curti estruturou o conceito visual e narrativo; o motion de Flávio Reis e João Alencar, a trilha de Juvi, a programação interativa de Matheus Leston e a materialização da AYA Studio interferem diretamente no desenho final da experiência.
Conexões públicas que situam esta obra no arquivo antes do texto narrativo.
Antes de OCEANVS, já havia obras autorais minhas dentro de exposições da AYA — Mementos e Interlúdio, em Metaversø, são parte dessa cronologia. OCEANVS foi outra virada: não uma instalação dentro de uma exposição temática, mas a primeira exposição imersiva integral da AYA organizada como obra autoral minha. Com ela, aprendi a desenhar espaços em colaboração: Antonio Curti estruturou o conceito visual e narrativo dos oito atos, eu concebi a obra, a experiência espacial e a direção técnica que traria água ao corpo sem molhar a pele.
A obra nasceu em um momento em que a AYA reunia um núcleo audiovisual recém-formado a partir de experiências anteriores com projeção em grande escala. Esse núcleo reativava uma linhagem que eu trazia dos anos de BijaRi, onde trabalhei com vídeo em formatos não convencionais, imagem expandida e montagem espacial. OCEANVS transformou essa maturidade técnica e humana em uma exposição autoral, concebida para ocupar o Farol Santander como uma câmara de imersão sobre a água.
A obra percorre oito momentos — Prelúdio, Horizonte, Mergulho, Submersão, Tempestade, Seca, Caos, Vida. Flávio Reis (Audiovisualismo) e João Alencar desenvolveram o motion graphics que dá corpo ao roteiro de Antonio, Juvi compôs a trilha sonora original, Matheus Leston programou os elementos interativos que respondem à presença do público. Concebi o espaço como uma câmara de imersão: seis projetores mapeados, som espacial, piso que reflete o oceano acima. O público entra, deita, e o mar acontece ao redor.
OCEANVS circulou pelo Farol Santander em São Paulo (2022), pela Casa Fiat de Cultura em Belo Horizonte (2023) e segue em nova aplicação no Farol Viajante. Gerou subprodutos — objetos de arte que isolam frames da narrativa, expostos na Galeria Luis Maluf e na SP-Arte Rotas Brasileiras.
A colaboração com Antonio Curti merece registro que vai além da distribuição de funções. O roteiro dos oito atos não chegou como texto pronto: ele se transformou no espaço. Motion, trilha e programação interativa não ilustraram o roteiro — interferiram nele. O que saiu da sala de exposição em São Paulo não era o roteiro original. Isso é o que diferencia co-criação de divisão de trabalho.
A circulação para Belo Horizonte mudou a obra. A arquitetura da Casa Fiat exigiu adaptação — e a adaptação é parte da obra, não exceção. A obra não é sobre o oceano — é sobre submersão, sobre deixar-se tomar por algo maior que o corpo pode conter.
Esta página marca OCEANVS como exposição autoral de Felipe Sztutman e como obra de circulação e adaptação. A passagem de São Paulo para Belo Horizonte — e depois para o Farol Viajante — não é exceção documental, mas parte do comportamento da obra.