OccupyCopan
Em novembro de 2011, expus pela primeira vez numa coletiva de arte contemporânea. O OccupyCopan reuniu 25 artistas num espaço de 3.500 metros quadrados nos andares inferiores do Edifício Copan — abandonados havia quase duas décadas. Fernanda Brenner, que organizou a mostra, fundaria a Pivô naquele mesmo espaço poucos meses depois.
Encontrei um vão vertical entre dois andares onde havia existido uma escada. Construí uma escultura de lâmpadas tubulares fluorescentes — amarelo, azul e vermelho — tensionadas por cabos de aço, vencendo o vão de um piso ao outro. A composição era rítmica: as cores se alternavam em cadência, como uma partitura vertical de luz. Nenhum suporte além dos cabos — as lâmpadas ficavam suspensas no ar, ocupando o vazio que a arquitetura tinha deixado.
Eu ainda não sabia articular o que estava fazendo. Só um ano depois, ao visitar a exposição de Dan Flavin no Mumok em Viena, reconheci na minha própria produção o território que ele havia conquistado: a lâmpada fluorescente como medium, a luz como matéria que define o espaço. O TCC que escrevi em 2013, LUZCIDADE, parte exatamente dessa conexão — de Moholy-Nagy a Flavin, de Flavin às minhas intervenções luminosas em São Paulo. O OccupyCopan foi o primeiro gesto dessa linhagem.