Metadata — O Mundo Invisível
Instalação imersiva em cinco telas que transforma dados reais de São Paulo em fluidos tridimensionais, fazendo a cidade aparecer como sistema perceptivo habitável.
- Número
- 010
- Estatuto
- obra autoral de Felipe
- Regime de leitura
- sistema / corpo / mecanismo
- Status
- REALIZADA
- Ano
- 2023
- Local
- Centro Cultural FIESP, São Paulo
- Contexto
- instalação-sistema / dados urbanos
- Tipo
- INSTALACAO
- Técnica / medium
- dados em tempo real + fluidos 3D + projeção
- Duração
- seis meses em cartaz
- Sistema
- Sala imersiva de cinco telas com sistemas de partículas e fluidos 3D
- Dados
- Dados urbanos em tempo real capturados de fontes online e traduzidos em comportamento visual
- Operação
- Vetores externos perturbam os fluidos, traduzindo o pulso da cidade em comportamento visual
- Tempo
- O sistema cruza dados em tempo real com marcas históricas e dados retroativos
- Pergunta
- Como fazer um raio-X de São Paulo?
Conexões públicas que situam esta obra no arquivo antes do texto narrativo.
Em 2023, concebi METADATA para revelar as camadas invisíveis que organizam São Paulo. Desde a Cachoeira em 2012, me interesso por tornar visível o que opera abaixo da percepção — ali eram as correntes de vento do centro, aqui são os fluxos de dados que estruturam a cidade. Desenhei uma sala imersiva de cinco telas onde sistemas de partículas simulam fluidos tridimensionais perturbados por vetores externos. Esses vetores não são arbitrários — são dados urbanos em tempo real, capturados de fontes online e traduzidos em comportamento visual. A cidade aparece como organismo em fluxo contínuo.
Antonio Curti assinou a curadoria e propôs uma pergunta que guiou todo o desenvolvimento: como fazer um raio-X de São Paulo? Como revelar não apenas o pulso em tempo real, mas também as marcas históricas — eventos, transformações culturais e registros retroativos que moldaram o presente? Concebemos um sistema que cruza essas duas dimensões temporais, criando uma membrana entre memória e acontecimento. A obra não ilustra dados, ela os materializa. Cada partícula responde ao que está acontecendo agora e ao que já aconteceu. O visitante não observa um painel de métricas — habita a dinâmica invisível que sustenta a metrópole.
A instalação ficou seis meses em cartaz no Centro Cultural FIESP, na Paulista, com entrada gratuita e audioguia. Foi a primeira vez que assinei sob o nome da AYA — uma decisão que só em 2026 reconheci como apagamento da autoria individual. Hoje, reivindico METADATA como obra minha, com a curadoria de Antonio e a produção da equipe AYA. Não é correção, é reconhecimento tardio do que sempre foi verdade.
METADATA deve ser lida no arquivo menos como exposição genérica e mais como mecanismo de percepção: uma sala onde dados urbanos, tempo real e memória histórica perturbam continuamente a imagem.