São Paulo 3024
Em 2024, desenhei o espaço completo do 23º andar do Farol Santander para uma viagem de 16 minutos ao futuro de São Paulo. A curadoria de Antonio Curti questionava como seria a cidade mil anos à frente — eu quis responder com uma pergunta técnica: se usássemos modelos de linguagem para imaginar esse futuro, estaríamos simulando realidades ou influenciando o código do que ainda vai existir? Concebi a experiência artisticamente e tecnicamente, trabalhando com LLMs e LoRa não como ferramentas de geração de imagem, mas como fundamento filosófico da obra. A jornada passa por sete atos — ilhas flutuantes no céu, civilizações subterrâneas, vestígios do presente fragmentado — e o público atravessa portais luminosos entre mundos coexistentes, sem saber se está vendo futuros possíveis ou múltiplas simulações do mesmo presente.
Dentro da experiência imersiva, criei Território, uma instalação interativa onde os movimentos do corpo do público se transformam em elementos arquitetônicos — prédios, cidades — projetados em tempo real por um sistema que desenvolvi com a equipe da AYA. Não é gamificação: é a ideia de que habitar um espaço é construí-lo. Cada pessoa que entra na sala se torna arquiteta de um território que nunca existiu antes e deixa de existir quando ela sai. Usei OpenCV, cinco projetores mapeados e uma RTX 4090 para processar o gesto corporal como matéria-prima da paisagem urbana. É uma investigação sobre presença — não representação.
O projeto inteiro demandou uma infraestrutura robusta: onze projetores sincronizados para a sala imersiva, sistema de som 5.1, rede distribuída em três zonas com redundância completa, e uma equipe de 53 pessoas em trabalho direto, somando 142 postos ao todo. Coordenei tecnicamente a montagem e a direção executiva, mas o que me interessa documentar aqui é o gesto de concepção: desenhar um espaço onde a tecnologia não ilustra o futuro — ela pergunta se o futuro já está acontecendo, oculto dentro das máquinas que usamos hoje.
Ficha Técnica