Felipe Sztutman

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sem título, para Mantiqueira

2013 · Serra da Mantiqueira, SP
sem título, para Mantiqueira
Fibras cachoeira · foto: Layla Motta

LUZCIDADE se completa quando a luz finalmente encontra a água. Diferente de todas as outras da série, aqui o ambiente natural derrotou meu método de projeto paramétrico — literalmente caiu por água. Como prever as condições físicas do lugar? Árvores, pedras, raízes, fluxo imprevisível da queda d’água. Levei 40 metros de cabo eletroluminescente para a Serra da Mantiqueira sem saber que forma a obra tomaria. Durante a montagem, imerso na água, procurei pontos onde pudesse fixar os cabos — e esses pontos não podiam ser estabelecidos de acordo com minha vontade. O ambiente tinha suas próprias regras de organização. Era a natureza.

Fixei os dois vértices inferiores em pedras maiores, o superior no tronco que guia o fluxo de água. Os cabos desceram submersos na queda d’água perpendiculares ao chão, dividiram-se, voltaram a encontrar os vértices inferiores. A forma construída ali foi um tetraedro — meus planos mentais originais eram de um simples retângulo que emoldurasse a queda. A forma piramidal era infinitamente mais complexa, porém adequada àquela situação. Ficou evidente para mim a necessidade, misturada com a incapacidade, de racionalizar o ambiente natural para nos sentirmos parte integrante dele.

Doze anos depois, em Floresta Utópica (2020), voltei à natureza — mas agora sabia que não se reproduz a floresta, se revela suas redes invisíveis. A Mantiqueira foi a semente desse entendimento. Naquela noite de outubro de 2013, éramos 12 pessoas contemplando a queda d’água iluminada na serra. No dia seguinte desmontei tudo. A obra existiu uma única noite. Foi o suficiente.

Ficha Técnica

Registro fotográfico Layla Motta

Publicações

100 Anos de Arte Moderna: a cena contemporânea Carlos Zibel Costa · p. 64–67
A legenda e a imagem da obra aparecem no perfil dedicado ao artista, reforçando a série LUZCIDADE dentro de uma leitura mais ampla da trajetória.