sem título, para Mantiqueira
Instalação efêmera de uma noite na Serra da Mantiqueira, onde 40 metros de cabo eletroluminescente encontraram a queda d'água e encerraram a série LUZCIDADE.
- Número
- 006
- Estatuto
- obra autoral de Felipe
- Regime de leitura
- fundacional / território / linhagem
- Status
- REALIZADA
- Ano
- 2013
- Local
- Serra da Mantiqueira, SP
- Contexto
- série LUZCIDADE
- Tipo
- INSTALACAO
- Série
- LUZCIDADE
- Técnica / medium
- instalação luminosa efêmera em natureza
- Extensão
- 40m de cabo eletroluminescente
- Duração
- uma noite
Conexões públicas que situam esta obra no arquivo antes do texto narrativo.
LUZCIDADE se completa quando a luz finalmente encontra a água. Diferente de todas as outras da série, aqui o ambiente natural derrotou meu método de projeto paramétrico — literalmente caiu por água. Como prever as condições físicas do lugar? Árvores, pedras, raízes, fluxo imprevisível da queda d’água. Levei 40 metros de cabo eletroluminescente para a Serra da Mantiqueira sem saber que forma a obra tomaria. Durante a montagem, imerso na água, procurei pontos onde pudesse fixar os cabos — e esses pontos não podiam ser estabelecidos de acordo com minha vontade. O ambiente tinha suas próprias regras de organização. Era a natureza.
Fixei os dois vértices inferiores em pedras maiores, o superior no tronco que guia o fluxo de água. Os cabos desceram submersos na queda d’água perpendiculares ao chão, dividiram-se, voltaram a encontrar os vértices inferiores. A forma construída ali foi um tetraedro — meus planos mentais originais eram de um simples retângulo que emoldurasse a queda. A forma piramidal era infinitamente mais complexa, porém adequada àquela situação. Ficou evidente para mim a necessidade, misturada com a incapacidade, de racionalizar o ambiente natural para nos sentirmos parte integrante dele.
Doze anos depois, em Floresta Utópica (2020), voltei à natureza — mas agora sabia que não se reproduz a floresta, se revela suas redes invisíveis. A Mantiqueira foi a semente desse entendimento. Naquela noite de outubro de 2013, éramos 12 pessoas contemplando a queda d’água iluminada na serra. No dia seguinte desmontei tudo. A obra existiu uma única noite. Foi o suficiente.
No arquivo, Mantiqueira registra o limite do método paramétrico diante do ambiente natural: a forma final nasce da água, das pedras e dos pontos possíveis de fixação.