Cachoeira · Vista aérea do Viaduto do Chá e do traçado luminoso
Vista aérea do Viaduto do Chá e do traçado luminoso
Cachoeira · Traçado luminoso no Vale do Anhangabaú
Cachoeira · Público no Vale do Anhangabaú
OBRA Nº 003 · 2012 obra autoral de Felipe fundacional / território / linhagem

Cachoeira

Texto narrativo

Em 2012, fui convidado para criar uma obra de arte pública no centro de São Paulo, como parte da primeira edição da URBE, Mostra de Arte Pública, promovida pelo CCBB. Escolhi revelar algo invisível: o Córrego das Almas, canalizado sob o pavimento do Vale do Anhangabaú. Desenhei um caminho de luz usando 500 metros de cabo eletroluminescente, segmentado em trechos de 40 metros, que descia do Viaduto do Chá até o vale, traçando a memória do rio que um dia correu ali.

A obra não decorava o espaço, ela revelava uma infraestrutura soterrada. São Paulo inteira é atravessada por rios que foram canalizados, escondidos sob o asfalto durante o processo de urbanização. A Cachoeira tornava visível essa camada esquecida da cidade, propondo uma mudança de percepção sobre o território que ocupamos. O cabo luminoso era minha tinta, a tecnologia era o meio. Durante cinco noites, das 20h às 22h, o córrego voltou a existir como luz.

Eu tinha 25 anos. Já trabalhava com vídeo, programação visual e live cinema no estúdio BijaRi, mas essa foi minha primeira intervenção urbana de grande escala. A técnica exigiu estudo rigoroso, não só da especificação do cabo eletroluminescente, mas da topografia do vale, da história do córrego, de como montar uma instalação temporária em espaço público. A Revista IstoÉ comparou a obra às cachoeiras de Olafur Eliasson em Nova York. Mas o gesto era paulistano: revelar o que está subentendido, abrir uma reflexão, não fechar uma resposta.

Treze anos depois, esse mesmo impulso, tornar visível o invisível, reapareceu na Floresta Utópica (Farol Santander, 2025). Lá, revelei sistemas naturais invisíveis através de projeções generativas. Aqui, revelei um rio enterrado através de luz contínua. A Cachoeira é a raiz. É onde aprendi que arte pública não é ornamento, é mudança de estado de percepção.

Dossiê

Intervenção luminosa que revelou o traçado soterrado do Córrego das Almas no Vale do Anhangabaú com 500 metros de cabo eletroluminescente.

Número
003
Estatuto
obra autoral de Felipe
Regime de leitura
fundacional / território / linhagem
Status
REALIZADA
Ano
2012
Local
Vale do Anhangabaú e Viaduto do Chá, São Paulo
Contexto
URBE / CCBB / arte pública
Tipo
ARTE PUBLICA
Série
LUZCIDADE
Técnica / medium
500m de cabo eletroluminescente
Extensão
500m de cabo eletroluminescente em segmentos de 40m
Duração
5 noites · 20h–22h
Realização
URBE — Mostra de Arte Pública · CCBB
Relações públicas

Conexões públicas que situam esta obra no arquivo antes do texto narrativo.

Relação
Objeto em Forma de: Espaço
Linhagem LUZCIDADE.
luz no espaço urbano
OccupyCopan
tornar visível o invisível
Floresta Utópica
Relação
sem título, para Mantiqueira
Continuidade água / natureza.
Créditos
Concepção Felipe Sztutman
Curadoria Alessandra Mader, Felipe Brait, Julia Clemente
Publicação
100 Anos de Arte Moderna: a cena contemporânea Carlos Zibel Costa · p. 64–67 Perfil dedicado ao artista com reprodução e contextualização de Cachoeira ao lado de Mantiqueira e OCEANVS.
Imprensa
Revista IstoÉ Na velocidade da luz
Harper's Bazaar Acontece nesta semana
Veja São Paulo URBE toma Vale do Anhangabaú
URBE Projeto oficial
Nota de arquivo

As imagens 05 e 06 são páginas do TCC LUZCIDADE (FAU-USP, 2013) incluídas aqui como documentação de arquivo do percurso da obra. O crédito exato dessas reproduções permanece a confirmar.