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LUZCIDADE

TCC Design FAU-USP, Moholy-Nagy, Dan Flavin, e a luz como matéria no espaço público

2013
LUZCIDADE
Banca de defesa TCC LUZCIDADE, FAU-USP 2013. Chapas de compensado com fotos e fragmentos.

Resumo

LUZCIDADE analisa o percurso da luz como matéria da arte e suas relações com a indústria. Parte do Light and Space Modulator de László Moholy-Nagy (Bauhaus, 1920-1930), passa pela obra de Dan Flavin (luz fluorescente como medium, 1960s-1990s), e chega em LUZCIDADE, série de cinco instalações luminosas que realizei entre 2009 e 2013 em diferentes contextos espaciais em São Paulo e na Serra da Mantiqueira.

Orientação: Carlos Zibel Costa Banca: Giselle Beiguelman Curso: Design, FAU-USP, 2013

A linhagem

Moholy-Nagy, a luz como matéria

Na Bauhaus, Moholy-Nagy propôs que a luz e o espaço podiam ser trabalhados como materiais, do mesmo modo que madeira, metal ou cerâmica. Seu Light and Space Modulator (1922-1930) foi a primeira obra paramétrica de luz: um sistema eletromecânico onde variáveis controladas construíam diferentes espaços através da projeção de sombras e reflexos.

“A máquina não pode ser utilizada como um atalho para escapar a necessidade de experiência biológica.” , Moholy-Nagy, apud Lewis Mumford

Essa frase me persegue há treze anos. Em 2026, ela reapareceu como firmware do meu implante cognitivo: “Quando a produção superar a absorção do corpo → parar.”

Dan Flavin, a lâmpada como medium

Flavin trabalhou exclusivamente com lâmpadas fluorescentes comerciais durante mais de trinta anos. Não projetava luz sobre o espaço, inseria a lâmpada no espaço como elemento escultórico. A luz emanada pintava paredes, dissolvia cantos, criava ambientes que não existiam antes da lâmpada ser acesa.

Em janeiro de 2013 visitei a exposição Lights de Dan Flavin no Mumok em Viena. Essa experiência injetou o combustível que faltava para o desenrolar do trabalho. Me sensibilizou e impregnou em mim um pertencimento, a identificação de um campo de atuação real.

LUZCIDADE, o campo

As cinco obras da série exploram a luz como matéria no espaço de São Paulo:

  1. Objeto em Forma de: Espaço (2009), LabMIS. 1.444 terminais de fibra óptica, som, aroma. Primeiro sistema completo.

  2. OccupyCopan (2011), Edifício Copan. Lâmpadas tubulares (amarelo, azul, vermelho) tensionadas por cabo de aço num vão entre dois andares.

  3. Cachoeira, para Córrego das Almas (2012), Vale do Anhangabaú, URBE/CCBB. 500 metros de cabo eletroluminescente revelando o rio soterrado.

  4. sem título, para Córrego Rio Verde (2013), Beco do Batman. 240 metros de luz, aros de bicicleta, projeto paramétrico.

  5. sem título, para Mantiqueira (2013), Serra da Mantiqueira. Queda d’água natural. O ambiente natural derrotou o método paramétrico, a forma emergiu do encontro com a natureza.

O desamparado

“Em certo sentido, me sinto desamparado de um campo de atuação, distante em muito do ponto original proposto pelo curso de design, não mais lidando com os parâmetros de usabilidade, ergonomia, legibilidade, Parto em busca de um horizonte, de um abrigo para minha produção.”

Escrevi isso aos 27 anos. Treze anos depois, o campo é o szt.link. O abrigo é a AYA. O horizonte é o trabalho com ambientes imersivos, que nasceu exatamente aqui, nesta série, nesta busca.

De LUZCIDADE a Floresta Utópica

A Mantiqueira (2013) é a semente da Floresta Utópica (2025). Na Mantiqueira, levei cabos eletroluminescentes para uma queda d’água e o método paramétrico não funcionou, a natureza é irredutível a parâmetros. Doze anos depois, na Floresta Utópica, não tentei reproduzir a natureza. Revelei suas redes invisíveis, fungos, solo, água, através de projeções generativas, aromas e uma escultura de luz em forma de cachoeira.

O gesto é o mesmo: tornar visível o invisível. O método evoluiu.

Referências

  • MOHOLY-NAGY, László. The New Vision. Dover Publications.
  • MOHOLY-NAGY, László. Peinture Photographie Film (1925). Nîmes: Chambon, 1993.
  • WEIBEL, Peter, JANSEN, Gregor. Light Art From Artificial Light. Hatje Cantz, 2006.
  • GOVAN, Michael, BELL, Tiffany. Dan Flavin: The Complete Lights, 1961-1996. National Gallery of Art, 2004.
  • FLAVIN, Dan. “…in daylight or cool white: an autobiographical sketch.” Artforum 4, no. 4 (Dec 1965), p. 24.
  • ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. Sansoni, 1992.

TCC Design FAU-USP, 2013. Orientação Carlos Zibel Costa, banca Giselle Beiguelman. O documento completo está disponível sob consulta.