Felipe Sztutman

← escritos
pesquisa

LUZCIDADE

TCC Design FAU-USP — Moholy-Nagy, Dan Flavin, e a luz como matéria no espaço público
2013
LUZCIDADE
Banca de defesa TCC LUZCIDADE, FAU-USP 2013. Chapas de compensado com fotos e fragmentos.

Resumo

LUZCIDADE analisa o percurso da luz como matéria da arte e suas relações com a indústria. Parte do Light and Space Modulator de László Moholy-Nagy (Bauhaus, 1920-1930), passa pela obra de Dan Flavin (luz fluorescente como medium, 1960s-1990s), e chega em LUZCIDADE — série de cinco instalações luminosas que realizei entre 2009 e 2013 em diferentes contextos espaciais em São Paulo e na Serra da Mantiqueira.

Orientação: Carlos Zibel Costa Banca: Giselle Beiguelman Curso: Design, FAU-USP, 2013

A linhagem

Moholy-Nagy — a luz como matéria

Na Bauhaus, Moholy-Nagy propôs que a luz e o espaço podiam ser trabalhados como materiais — do mesmo modo que madeira, metal ou cerâmica. Seu Light and Space Modulator (1922-1930) foi a primeira obra paramétrica de luz: um sistema eletromecânico onde variáveis controladas construíam diferentes espaços através da projeção de sombras e reflexos.

“A máquina não pode ser utilizada como um atalho para escapar a necessidade de experiência biológica.” — Moholy-Nagy, apud Lewis Mumford

Essa frase me persegue há treze anos. Em 2026, ela reapareceu como firmware do meu implante cognitivo: “Quando a produção superar a absorção do corpo → parar.”

Dan Flavin — a lâmpada como medium

Flavin trabalhou exclusivamente com lâmpadas fluorescentes comerciais durante mais de trinta anos. Não projetava luz sobre o espaço — inseria a lâmpada no espaço como elemento escultórico. A luz emanada pintava paredes, dissolvia cantos, criava ambientes que não existiam antes da lâmpada ser acesa.

Em janeiro de 2013 visitei a exposição Lights de Dan Flavin no Mumok em Viena. Essa experiência injetou o combustível que faltava para o desenrolar do trabalho. Me sensibilizou e impregnou em mim um pertencimento — a identificação de um campo de atuação real.

LUZCIDADE — o campo

As cinco obras da série exploram a luz como matéria no espaço de São Paulo:

  1. Objeto em Forma de: Espaço (2009) — LabMIS. 1.444 terminais de fibra óptica, som, aroma. Primeiro sistema completo.

  2. OccupyCopan (2011) — Edifício Copan. Lâmpadas tubulares (amarelo, azul, vermelho) tensionadas por cabo de aço num vão entre dois andares.

  3. Cachoeira, para Córrego das Almas (2012) — Vale do Anhangabaú, URBE/CCBB. 500 metros de cabo eletroluminescente revelando o rio soterrado.

  4. sem título, para Córrego Rio Verde (2013) — Beco do Batman. 240 metros de luz, aros de bicicleta, projeto paramétrico.

  5. sem título, para Mantiqueira (2013) — Serra da Mantiqueira. Queda d’água natural. O ambiente natural derrotou o método paramétrico — a forma emergiu do encontro com a natureza.

O desamparado

“Em certo sentido, me sinto desamparado de um campo de atuação; distante em muito do ponto original proposto pelo curso de design; não mais lidando com os parâmetros de usabilidade, ergonomia, legibilidade; Parto em busca de um horizonte, de um abrigo para minha produção.”

Escrevi isso aos 27 anos. Treze anos depois, o campo é o szt.link. O abrigo é a AYA. O horizonte é o trabalho com ambientes imersivos — que nasceu exatamente aqui, nesta série, nesta busca.

De LUZCIDADE a Floresta Utópica

A Mantiqueira (2013) é a semente da Floresta Utópica (2025). Na Mantiqueira, levei cabos eletroluminescentes para uma queda d’água e o método paramétrico não funcionou — a natureza é irredutível a parâmetros. Doze anos depois, na Floresta Utópica, não tentei reproduzir a natureza. Revelei suas redes invisíveis — fungos, solo, água — através de projeções generativas, aromas e uma escultura de luz em forma de cachoeira.

O gesto é o mesmo: tornar visível o invisível. O método evoluiu.

Referências


TCC Design FAU-USP, 2013. Orientação Carlos Zibel Costa, banca Giselle Beiguelman. O documento completo está disponível sob consulta.