Objeto em Forma de: Espaço
Em 2009, fui selecionado para o programa de residência artística do LabMIS — o Laboratório de Novas Mídias do Museu da Imagem e do Som de São Paulo. Tinha 22 anos e acabara de me formar em Mecatrônica no COTUCA. Levei para aquela residência uma pergunta que vinha do corpo: como criar ambientes que existem pela soma de elementos invisíveis? Não queria fazer um objeto que você olha. Queria fazer um espaço que você habita.
Objeto em Forma de: Espaço foi minha primeira obra. Concebi um ambiente sinestésico onde som, aroma e luz se organizavam por regras — não por composição expressiva, mas por lógica de sistema. A mecatrônica me ensinou a pensar em sensores e atuadores. O design me deu ferramentas para desenhar experiências. O vídeo me mostrou que a luz pode ser tão temporal quanto o som. Juntei as três coisas e propus: o ambiente é a obra. Não o que está dentro dele, mas a própria atmosfera artificial que emerge quando essas camadas se encontram.
Essa obra definiu uma regra que nunca abandonei: ambiente como obra. Não faço instalações que você observa de fora. Desenho espaços que só existem quando você entra. A Cachoeira do URBE em 2012, a Floresta Utópica em 2020, tudo o que vim a fazer depois nasce deste princípio fundacional — criar ambientes que modificam a percepção de quem os atravessa. O LabMIS me deu o lugar e o tempo para descobrir isso. Foi onde aprendi que meu meio não era o objeto, mas o espaço entre as coisas.
Ficha Técnica