O Que Nos Une
Instalação-sistema em três ambientes: o visitante atravessa espelhos, câmeras e sensores cardíacos para perceber, no próprio corpo, padrões de rede e sincronização coletiva.
- Número
- 013
- Estatuto
- exposição temática / coletiva
- Regime de leitura
- sistema / corpo / mecanismo
- Status
- REALIZADA
- Ano
- 2025
- Local
- Centro Cultural FIESP, São Paulo
- Contexto
- instalação-sistema / Nicolelis
- Tipo
- INSTALACAO
- Técnica / medium
- espelhos · sincronização biométrica · sensor · projeção
- Estrutura
- Três ambientes interligados: câmara de espelhos e LEDs, piso interativo e câmara de sincronização biométrica
- Corpo
- Visitantes entram como presença física mensurável: posição no piso e batimento cardíaco na câmara final
- Rastreamento
- Câmeras detectam a posição dos visitantes e alimentam padrões gerados em tempo real em Max/MSP
- Sincronização
- Sensores customizados capturam batimentos cardíacos e os traduzem em luz e som; quando os corações se aproximam em ritmo, a sala responde
- Pergunta
- Como fazer a consciência coletiva deixar de ser explicação e virar experiência corporal?
Conexões públicas que situam esta obra no arquivo antes do texto narrativo.
Em 2025, o neurocientista Miguel Nicolelis me convidou para traduzir suas teorias sobre consciência coletiva em experiência espacial. O ponto não era ilustrar neurociência, mas construir um sistema em que o visitante entrasse fisicamente na hipótese: indivíduos separados produzindo padrões coletivos.
A obra se organiza em três ambientes interligados. Primeiro, uma câmara de espelhos e LEDs — estrutura prismática desenhada por Tiago Guimarães que evoca o interior de um cérebro. Depois, um piso interativo onde câmeras detectam a posição dos visitantes; algoritmos geram padrões em tempo real; projeções panorâmicas respondem ao movimento do grupo. Esse sistema foi desenvolvido por Matheus Leston em Max/MSP. Não é vídeo pré-gravado: é imagem gerada ao vivo a partir da presença.
A terceira etapa torna o mecanismo mais literal. Sensores customizados capturam batimentos cardíacos e traduzem esses sinais em luz e som. Quando os ritmos dos visitantes se aproximam, a sala responde. A sincronização deixa de ser metáfora social e vira dado perceptível pelo corpo.
Ficou em cartaz no Centro Cultural FIESP em São Paulo, de outubro de 2025 a fevereiro de 2026. A exposição vai itinerar — MIS Ceará já está confirmado. Cada nova montagem exige adaptação: a sala interativa precisa de teto alto para as câmeras suspensas, a câmara de espelhos é reconstruída para o espaço, os sensores biométricos viajam conosco porque não existem equivalentes. O AYA Studio executou; Miguel assinou a curadoria científica e Antonio Curti a curadoria artística.
No arquivo, O Que Nos Une deve ser lida menos como exposição imersiva genérica e mais como mecanismo perceptivo: espelhos, rastreamento de posição e sensores biométricos fazem a ideia de consciência coletiva depender da presença e da sincronização dos visitantes.