O Que Nos Une
Em 2025, o neurocientista Miguel Nicolelis me convidou para traduzir suas teorias sobre consciência coletiva em experiências imersivas. Era um desafio fascinante: como transformar neurociência em espaço habitável? Como fazer alguém sentir — não apenas entender — que democracia, dinheiro, felicidade são abstrações que emergem de mentes individuais trabalhando juntas? Desenhei o espaço e concebi técnica e artisticamente três ambientes interligados, cada um revelando uma camada dessa rede invisível que nos conecta. Antonio Curti trouxe a curadoria artística, Miguel a científica. O AYA Studio executou.
A exposição é uma jornada do individual ao coletivo. Começa em uma câmara de espelhos e LEDs — uma estrutura prismática desenhada pelo Tiago Guimarães que evoca o interior de um cérebro. Segue para um piso interativo onde os visitantes se tornam neurônios em uma rede viva: câmeras detectam posição, algoritmos geram padrões em tempo real, projeções panorâmicas respondem ao movimento coletivo. Esse sistema foi desenvolvido por Matheus Leston em Max/MSP — não é vídeo pré-gravado, é imagem gerada ao vivo. Termina em uma câmara de sincronização biométrica: sensores customizados que desenvolvemos capturam batimentos cardíacos e traduzem em luz e som. Quando os corações dos visitantes começam a pulsar juntos, a sala responde. É sincronia mensurável, não metáfora.
Ficou três meses em cartaz no Centro Cultural FIESP em São Paulo, de outubro de 2025 a fevereiro de 2026. A exposição vai itinerar — MIS Ceará já está confirmado. Cada nova montagem exige adaptação completa: a sala imersiva precisa de teto alto para as câmeras suspensas, a câmara de espelhos é reconstruída do zero para o espaço, os sensores biométricos viajam conosco porque não existem equivalentes. Não é tecnologia pela tecnologia — cada sistema serve ao conceito científico e artístico. Os visitantes não aprendem sobre consciência coletiva. Eles a experimentam.
Ficha Técnica