Luz Æterna — Ensaio Sobre o Sol
Quando Antonio Curti me convidou para dirigir Luz Æterna, eu sabia que o desafio não era apenas reunir obras de new media art brasileira — era desenhar o sistema que permitiria oito artistas coexistirem sem competir. Cada trabalho tinha sua própria linguagem: painéis de LED, projeções, sistemas paramétricos, luz física e digital. Meu trabalho foi conceber o espaço expográfico inteiro, planejar a expografia para que cada obra preservasse sua individualidade enquanto a luz unificava a jornada.
Desenhei o percurso pensando em como o público transitaria entre o físico e o virtual. A luz não é apenas tema — é sintaxe. Ela organiza o espaço, conduz o olhar, cria pausas e acelerações. Entre as oito obras, está Céu Zero, de Leston, que se integrou ao sistema junto com os trabalhos dos outros artistas convidados. A modularidade foi fundamental: a exposição se adaptou de forma site-specific entre Brasília e Belo Horizonte, mantendo a narrativa mas respondendo às especificidades de cada edifício do CCBB.
O processo foi intensamente colaborativo. Trabalhei diretamente com os artistas na concepção técnica de cada instalação, e a equipe da AYA desenvolveu soluções que utilizaram tecnologias e materiais brasileiros sempre que possível. Coordenei esse intercâmbio de saberes — entre artistas, técnicos e produção — para que a mostra funcionasse como um hub criativo onde cada parte se sustentasse, mas o todo emergisse como uma experiência coerente.
Ficha Técnica