Felipe Sztutman

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Interlúdio

2019 · Farol Santander, São Paulo
Interlúdio
Interlúdio — sensores de proximidade e luz responsiva. Foto: Junior Viana.

Concebi Interlúdio para responder a uma pergunta que me inquietava: em uma era de avanço exponencial da tecnologia, qual é o papel fundamental do humano? A resposta que propus era direta — máquinas não existiriam sem o ser humano. Toda tecnologia necessita de uma mente e uma alma pulsando.

Para materializar essa ideia, desenhei uma instalação com sensores de proximidade ultraprecisos e um sistema de luz responsivo. Trabalhei com Wesley Lee, que desenvolveu toda a eletrônica e os sensores. A obra só existia quando alguém estava presente — a proximidade do corpo humano ativava mudanças na luz. Sem visitantes, o sistema permanecia inerte. Era uma demonstração literal: a tecnologia não é autônoma, ela depende fundamentalmente da intenção e da presença humana.

O título Interlúdio sugere uma pausa, um momento de reflexão entre atos. Eu queria que a obra funcionasse como um respiro dentro da exposição Metaversø, um espaço para questionar a matéria-prima que produz toda tecnologia: nós mesmos. Antonio Curti, que assinou a curadoria, reuniu trabalhos de Bijari, Sala 28 e outros artistas explorando universos virtuais e realidades paralelas. Interlúdio era o contraponto humanista — insistia na centralidade do humano.

A obra funciona porque Wesley transformou eletrônica em linguagem sensível, porque cada visitante se tornava parte essencial do sistema, e porque a luz só ganhava sentido quando um corpo se aproximava.

Ficha Técnica

Hardware/sensores Wesley Lee
Curadoria Antonio Curti

Imprensa