Interlúdio
Instalação responsiva em que sensores de proximidade e luz só se ativam com a presença do corpo, tornando literal a dependência da tecnologia em relação ao humano.
- Número
- 008
- Estatuto
- obra autoral de Felipe
- Regime de leitura
- sistema / corpo / mecanismo
- Status
- REALIZADA
- Ano
- 2019
- Local
- Farol Santander, São Paulo
- Contexto
- Metaversø / Farol
- Tipo
- INSTALACAO
- Série
- Metaversø
- Técnica / medium
- sensores de proximidade + luz responsiva
- Realização
- Metaversø · Farol Santander
- Sistema
- Sensores de proximidade ultraprecisos acoplados a um sistema de luz responsiva
- Hardware
- Wesley Lee desenvolveu a eletrônica e os sensores da instalação
- Operação
- Sem corpo presente, o sistema permanece inerte; a obra só existe quando alguém se aproxima
- Pergunta
- Qual é o papel fundamental do humano em uma era de avanço exponencial da tecnologia?
Conexões públicas que situam esta obra no arquivo antes do texto narrativo.
Concebi Interlúdio para responder a uma pergunta que me inquietava: em uma era de avanço exponencial da tecnologia, qual é o papel fundamental do humano? A resposta que propus era direta — máquinas não existiriam sem o ser humano. Toda tecnologia necessita de uma mente e uma alma pulsando.
Para materializar essa ideia, desenhei uma instalação com sensores de proximidade ultraprecisos e um sistema de luz responsivo. Trabalhei com Wesley Lee, que desenvolveu toda a eletrônica e os sensores. A obra só existia quando alguém estava presente — a proximidade do corpo humano ativava mudanças na luz. Sem visitantes, o sistema permanecia inerte. Era uma demonstração literal: a tecnologia não é autônoma, ela depende fundamentalmente da intenção e da presença humana.
O título Interlúdio sugere uma pausa, um momento de reflexão entre atos. Eu queria que a obra funcionasse como um respiro dentro da exposição Metaversø, um espaço para questionar a matéria-prima que produz toda tecnologia: nós mesmos. Antonio Curti, que assinou a curadoria, reuniu trabalhos de Bijari, Sala 28 e outros artistas explorando universos virtuais e realidades paralelas. Interlúdio era o contraponto humanista — insistia na centralidade do humano.
A obra funciona porque Wesley transformou eletrônica em linguagem sensível, porque cada visitante se tornava parte essencial do sistema, e porque a luz só ganhava sentido quando um corpo se aproximava.
A documentação visual publicada nesta rodada ainda é mínima. O objetivo aqui é nomear o funcionamento da obra e retirar a página do regime genérico de galeria silenciosa.