OBRA Nº 014 · 2025 obra autoral de Felipe espaço / circulação / colaboração

Floresta Utópica

Dossiê

Obra autoral de Felipe Sztutman sobre temporalidades florestais e sistemas invisíveis de interdependência, estruturada por projeção, aromas e uma escultura de luz em forma de cachoeira.

Número
014
Estatuto
obra autoral de Felipe
Regime de leitura
espaço / circulação / colaboração
Status
REALIZADA
Ano
2025
Local
Farol Santander São Paulo
Contexto
série dos Elementos / terra
Tipo
EXPOSICAO IMERSIVA
Série
Os Elementos
Técnica / medium
projeção · espelhos · aromas · escultura de luz
Realização
AYA Studio · Farol Santander
Circulação
Local
Farol Santander São Paulo, 2025
Duração
Instalação imersiva de 20 minutos
Estrutura
Projeção mapeada, design sonoro, aromas e escultura luminosa central
Co-criação

Na AYA, a obra se constrói pela tradução de processos ecológicos em linguagem espacial. Em vez de reproduzir a natureza literalmente, a equipe organiza imagem, som, aroma e luz para tornar sensíveis as redes invisíveis entre plantas, fungos, solo e água.

Relações públicas

Conexões públicas que situam esta obra no arquivo antes do texto narrativo.

tornar visível o invisível
Cachoeira
natureza · sistemas invisíveis
sem título, para Mantiqueira
série dos Elementos
Oceanvs
Texto narrativo

Em 2012, fui convidado para criar uma obra de arte pública no centro de São Paulo. Escolhi revelar algo invisível: o Córrego das Almas, que corre escondido sob o pavimento do Vale do Anhangabaú. Com cabos eletroluminescentes, concebi a obra “Cachoeira”, evidenciando como tentamos controlar e até mesmo ocultar os rios que sustentam nossas cidades.

Essa experiência inicial motivou o aprofundamento sobre nossa relação com a natureza urbana, levando a uma investigação que culmina hoje em “Floresta Utópica”. Da água canalizada, a pesquisa evoluiu para sistemas mais complexos: como uma floresta inteira funciona, respira e se regenera a partir de redes invisíveis de interdependência.

A partir de imersões em diversos biomas brasileiros e estudos sobre temporalidades naturais, foi possível identificar o descompasso entre ritmos urbanos e ciclos orgânicos. Na cidade, tudo é urgente, ruidoso, artificial. Na floresta, o tempo opera em outras escalas: uma semente pode levar 30 dias para germinar; uma árvore, décadas para alcançar sua plenitude. Minha experiência com agrofloresta e sementes crioulas revelou que a natureza possui suas próprias temporalidades e instrumentos de regeneração.

Na AYA, materializamos essa experiência de tempo dilatado a partir de uma instalação imersiva de 20 minutos, onde nossa equipe multidisciplinar desenvolve projeção mapeada, design sonoro e aromas que interpretam os ciclos florestais. A proposta não reproduz a natureza literalmente, isso seria impossível e perderia potência. Preferimos evidenciar as conexões invisíveis entre plantas, fungos, solo e água, destacando as redes energéticas que fazem de uma floresta um organismo único.

A escultura luminosa no centro do espaço conecta este trabalho às minhas pesquisas anteriores sobre a presença da água. Os aromas de madeiras e essências vegetais ativam memórias afetivas, convocando todo o corpo para esta experiência. O roteiro audiovisual revela tempestades, germinação, crescimento, florescimento e frutificação; um ciclo contínuo de regeneração, sem começo nem fim definidos.

Esta floresta utópica não está apenas no futuro: ela existe como potência no presente, esperando que desenvolvamos a sensibilidade necessária para habitá-la.

Créditos
Artista Felipe Sztutman
Curadoria e narrativa Antonio Curti
Produção e materialização AYA Studio
Patrocínio Santander, Esfera, Return Capital
Nota de arquivo

Floresta Utópica deve ser lida no arquivo como exposição autoral de Felipe e como desdobramento tardio de Cachoeira e Mantiqueira: a água e os sistemas invisíveis reaparecem aqui não como intervenção urbana, mas como ecologia imersiva.